Modus Operandi - Quando tudo cai em silêncio e sensações

Destruição de toda a gente com a novela.
Meu minuto de silêncio, murmúrio e anestesia é distância, pedido de socorro dos mil golpes naturais aos quais a carne é herdeira. Da agressividade da rotina quando rói o emocional e praticamente força a insensibilidade. Não mais pedido de consolo, mas sempre muito cheio de possibilidades.
A visão periférica, cansada.
A compensação deste pêndulo monstruoso e imutável, que vem engolindo tudo, na tentativa de formar peso suficiente para alcançar um centro.
Tudo isso que pode ser ouvido se você simplesmente entrar em estática para compreender as forças que te movem.
E questioná-las.

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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Margareth e suas notas rápidas. (0-10)

loira sem sal, vômito de suco gástrico e sensação de entranhas corroídas. Eu ouço um amém ? 

Amargura! Todos aqui conhecem seu gosto peculiar, não ? 
Aquele que fica depois que o chiclete vira borracha, aquele desgosto crônico, aquela ressaca mal-dormida. Vá lá, todos conhecem! Faz parte da vida.

Acho que solução aquosa me enoja. É tão fácil que mal se nota. Como tudo tem que ter defeito de fábrica, é quase uma mentira absurda. Ai de mim, e verão por quê. Mas vou te dizer qual era. 
Cadê a sensação forte, cadê os balbúcios e os espasmos [com o perdão das palavras] incontroláveis ?
Preciso de algo compacto, de algo ousado, rebelde, que vai descendo pela garganta e arrancando gemidos e suspiros, vai arrancando pele, quase um scotch. Não precisa, assim, necessariamente ser ardido. Basta demorar-se o suficiente para ser inesquecível. 
Sinto muito. Coisa vazia não me preenche. 

Me é tão doloroso admitir isto que há de errado comigo, por ter me empenhado para não ser assim. 
- Correção não se faz oprimindo, ô idiota!
É isso que o Jack faz, vê se vale mais a pena recolher tudo para conserto ou deixar famílias morrerem na corte. No corte de pessoal.
Como dói cavar de dentro de mim as desculpas hipócritas, quando estou de fato arrependida. 
Mas hei de cavar, tudo precisa sair, nada disso reside em mim. 

Talvez a tríade não me seja uma boa. Eu perco noções de tridimensionalidade sem o meu olho direito. Além do mais, minha confiança é bípede, bifurcada, um olho aberto e outro fechado. 
A nova temporada é exatamente disso. De Imagem e Domínio. Talvez pareça reprise da outra semana, mas é tão recém-nascido e sensível o ponto dos pedestais e alazões, que cambaleio antes de cutucar ali. 

Terrível como a Física explica tudo. Eu, que estou louca para fugir desse tipo de cálculo renal, vou por caminhos já tão velhos.
Parecem regras bobas, mas levem às últimas conseqüências, como eu faço. Há força na estática para provar que essa não é estável. Voilá. 
Silêncio e amargura sempre serão conseqüência. Serão contra-regra, contra-partido, jamais - eu disse jamais - o movimento.
Não está na nossa natureza. 

Enfim, entrego o ponto. O passo, por assim dizer, porque acho lindo enrolar. É poético, mantém suspense, é romântico, é estético. Acho sangue lindo. 

Ainda estou repassando aulas passadas para correção de pequenos detalhes perigosos. 
Todo dia redescubro o infinito por um milésimo de segundo. Minha solução há de nunca ser neutra. 

domingo, 17 de maio de 2009

Square One [sobrenove]

já era tempo de eu querer falar do passado no presente

De volta à estaca zero. Tudo mudou indubitavelmente. Doiscapi. 
A matemática me estendeu a mão. Minhas cartas vão à mesa o tempo todo, e sobem de volta por estarem sempre à mão. Abri os olhos diversas vezes, para entrar em choque e recuar. [viro, trago, gasto, amargo e morro. Eu cigarro.]
Hesito, este lado para cima. Penso em todos os meus auges românticos que me ninaram nas noites em que você não esteve aqui. Todos os meus auges românticos, ponto. Curso natural das coisas, sou eu assim, não há mais ninguém. No one will surprise me unless you do. 
Vou confessar aqui, já que não há ninguém, que não gosto, nem um pouco, de ser forte. Extrema, sim, forte, não. O sono me propõe a possibilidade do meu orgulho querer ter certa ponta na peça. 
Somente os teus olhos de ressaca foram capazes de me manter no centro, e mesmo fechando fiquei ali. 
Você dormiu (ou morreu, ou fingiu, nunca soube), e resolvi voltar a balançar. 
Agora te vejo quando vou e te vejo quando volto. Te vejo na subida e na descida. Te amo e te odeio, hoje eu corro e paro e volto atrás. Hoje e amanhã, sempre, tudo. 
Meu grande teatro virou vida corrida (corroída, por que não ?) e isto tudo, de novo, é minha procura pelas pazes. Decerto, nada disso é novo. 
Curva na canaleta do sete.
Explosão na coxia.

sinto falta do meu vilão.
Troquei máscaras por cartas. 
Vê se não se encaixa melhor ao pano manchado de lágrimas no fundo.