- Uma cruzada. Gosto, não gosto. Não devia.
Um período, um processo. Dê tempo ao tempo. Mas não é disperdício ?
- Não me chame de benzinho, xuxu, amor. Não. Me chame de menina, porque por enquanto eu sei que não sou seu amor, xuxu ou benzinho. Por enquanto não posso ser. Porque não digo sim, eu digo não. Me chame do que for, mas me chame sendo.
- Oh, o cheiro de novo, eu sei que já passou do tempo, mas fecho os olhos e posso sentir o toque, o roçar delicado. O gosto, a textura, as palavras, sim!
- Tenho tido todas as lembranças com cheiros. Mas ultimamente não lembro de onde eles vieram. Só vieram muitos cheiros, e isso bastou. Um nó na garganta porque lembrei da sensação de kiwi. Não a casca.
- Ééé, meu computador!
- Apagou a memória, mas eu ainda lembro das últimas mil pessoas. Tirar suas essências de passos muito pequenos é difícil. Mas vocês só estão dificuldando causando repulsa. Tontura. Estou com tontura e acabei de comer.
- Você troca de personalidade. Um negativa o outro, um positiva o outro... tanto faz. É troca de energias.
- Fortes dores de cabeça. Talvez pudesse ser um grande efeito colateral. Já cheguei a me perguntar se eu que convivo comigo mesma sou realmente eu, ou só eu nas horas vagas. Quando não estou trabalhando para uma sociedade secreta, consumindo drogas ou matando pessoas.
- Sete de paus. Parecia ser um livro interessante. Mas a contracapa não me deixa mentir. O julguei pelo máximo que podia obter em poucos segundos, segurando já dois livros nos braços. Mais uma história de serial killer com elementos interessantes.
- No final tem a virada. Isso virou clichê. Cansei de viradas. Agora quero uma que vire o tempo inteiro. Não sei o que quero, afinal. Eu sei que quero.
- E estava pensando sobre números e personagens. Como é que eles desprezam tanto os números de 10 para baixo! Podiam bem ter pessoas ali, também, por que não. Todo mundo gosta de um pouco de personalidade. Eu pelo menos teria achado sentido nas cartas largadas pela casa. É que meu cunhado se fantasiou de coringa para a festa a fantasia - e falo muito sério.
- Não estou rindo. Não estou, mesmo. Isso eles chamam de smirk. Mas não é aquele smirk. É só... Aquele vento na sua cara na janela. A brisa. Eu acho que sei sorrir com os olhos. Seu pensamento muda brutalmente sua expressão - pode acreditar, isso é verdade. O resto ? O resto você que sabe. Quem sabe, verdade.
- Um sério problema de múltiplas personalidades, mas problemas sempre são sérios, ou não são problemas. Você tem problemas. Claro, de matemática, de relações interpessoais, que mais você quer ? Que eu faça café ? Posso dançar, vamos lá, nomeie.
Fim súbito. Não, isso não é fim, temos que decidir um fim pra essa história. Vamos lá, decida.
Não decidiu.