Modus Operandi - Quando tudo cai em silêncio e sensações

Destruição de toda a gente com a novela.
Meu minuto de silêncio, murmúrio e anestesia é distância, pedido de socorro dos mil golpes naturais aos quais a carne é herdeira. Da agressividade da rotina quando rói o emocional e praticamente força a insensibilidade. Não mais pedido de consolo, mas sempre muito cheio de possibilidades.
A visão periférica, cansada.
A compensação deste pêndulo monstruoso e imutável, que vem engolindo tudo, na tentativa de formar peso suficiente para alcançar um centro.
Tudo isso que pode ser ouvido se você simplesmente entrar em estática para compreender as forças que te movem.
E questioná-las.

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domingo, 28 de setembro de 2008

"They say bad things come in threes."

Can't change what happened.
Tenho me sentido anormalmente insegura esses dias.

E descobri que às vezes sou acometida por uma tristeza que me perfura sem que eu concorde ou sequer saiba por quê.
... só passei pra comentar.
Porque, de novo, de três coisas estou convicta. Dois pontos.
Bad Day - REM [não leve o título tão a sério]
A public service announcement followed me home the other day.
I paid it nevermind.
Go Away.
Shits so thick you could stir it with a stick-free Teflon white
washed presidency.
We're sick of being jerked around.
Wear that on your sleeve.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
We're sick of being jerked around.
We all fall down.
Have you ever seen the televised St. vitus subcommittee prize
Investigation dance? Those ants in pants glances.
Well, look behind the eyes.
It's a hallowed hollow anesthetized
"save my own ass, screw these guys"
smoke and mirror lock down.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
The Papers wouldn't lie!
I sigh, Not one more.
It's been a bad day.
Please don't take a picture.
It's been a bad day.
Please.
We're dug in deep the price is steep.
The auctioneer is such a creep.
The lights went out, the oil ran dry
We blamed it on the other guy
Sure, all men are created equal.
Here's the church, heres the steeple
Please stay tuned-
we cut to sequelashes, ashes, we all fall down.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
Ignore the lower fear
Ugh, this means war.
It's been a bad day.
Please don't take a picture.
It's been a bad day.
Please.
Broadcast me a joyful noise unto the times, lord,
Count your blessings.
We're sick of being jerked around.
We all fall down.
It's been a bad day...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Drama de Pisciano (2)

ah, talvez as repetições cansem, mas não são nada além da continuidade da vida.
me perdoem.

E que é da história sem a tragédia ?

Felicidade ? Eu acho que você se emociona mais nas curvas, quedas, subidas e descidas. Eu acho, acho sim. Por mais que você tenha sido atirada a 120 km/h no plano, vai ser MUITO melhor com um looping lá na frente. E por isso você me empurrando me dá uma sensação... estranha, vai.

Hoje. Puxa, hoje foi exatamente como têm sido esses processos.
Mentira.

Hoje voltava com duas sacolas na mão. Ok, três, e não foi meu começo de dia. Estou começando daí exatamente pelo motivo disso tudo. Porque antes disso foi apenas uma fábula, algo corriqueiro e sem importância. As fábulas não têm falta de tragédia, mas vivem de uma só, e dão sempre uma lição de moral que generaliza e espera que você saiba que não é aplicável a tudo. Distribuem bom-senso esperando que você tenha bom-senso de não aceitar.
Enfim.
Tudo corria hedonistamente bem quando começam a falar de radiador atrás no ônibus. É o radiador. Soltou a mangueira. Eu olho, como todos os curiosos no ônibus - todos os passageiros, para ser mais exata - para a última fileira de bancos e vejo uma fumaça. Vai pegar fogo, eles disseram. Por que diabos eles dizem que vai pegar fogo e não saem do lugar. Bom, o cheiro foi piorando e a fumaça também, mas o motorista não parava, e os caras continuaram a falar que era o carburador, que era água, que era a falta dela.
E agora eu poderia dizer que o ônibus pegou fogo, e vocês iam fazer uma cara de espanto e tentar tatear a realidade que dá socos. Iam se perguntar como eu saí do ônibus - porque que eu saí do ônibus e continuo viva, sã e salva em casa, é óbvio -, iam começar a pensar no sistema e nesses motoristas irresponsáveis, iam parar pra pensar nos idiotas do banco de trás que não moveram o traseiro ou até no cobrador que não soube dizer se era emergência ou não. Podem começar a se questionar se usamos aquelas benditas alavancas que ficam nas janelas que dá uma puta vontade de usar toda vez que se entra num ônibus, quem será que tomou a iniciativa e salvou o resto do ônibus, quem será. Se capotamos. Se fizemos o trânsito ficar ruim - e então poderiam refletir sobre o trânsito.
Dizem que o ser-humano gosta de ouvir tragédia, é sádico. Estou quase entendendo.
Porque agora vou dizer que não houve nada, todo mundo saiu do ônibus e pegaram outros integrando pacificamente com seus bilhetes, quem podia, com outro ônibus e indo finalmente para casa, como se nada tivesse acontecido. E essa história não terá valido absolutamente NADA.

Quem viu Little Miss Sunshine sabe do que estou falando, estou falando de Proust.
Então ? Então um brinde à adolescência. Aos imbecis que ficam cobrando desculpas que nem eles mesmos deram, aos babacas que não se colocam no lugar do outro, aos idiotas que largam mão antes mesmo de pegar, aos filhos da puta que arruinam e fazem nossa vida melhor a cada ação que trinca o parabrisa. Às nuvens. Um brinde a mim ? Oh, por favor, não.

[eu amo esses dois.]
LADY MACBETH: Was the hope drunk
Wherein you dress'd yourself? Hath it slept since?
And wakes it now, to look so green and pale
At what it did so freely? From this time
Such I account thy love. Art thou afeard
To be the same in thine own act and valor
As thou art in desire? Wouldst thou have that
Which thou esteem'st the ornament of life
And live a coward in thine own esteem,
Letting "I dare not" wait upon "I would"
Like the poor cat i' the adage?

MACBETH. Prithee, peace!
I dare do all that may become a man;
Who dares do more is none.

LADY MACBETH. What beast wast then
That made you break this enterprise to me?
When you durst do it, then you were a man,
And, to be more than what you were, you would
Be so much more the man. Nor time nor place
Did then adhere, and yet you would make both.
They have made themselves, and that their fitness now
Does unmake you. I have given suck and know
How tender 'tis to love the babe that milks me-
I would, while it was smiling in my face,
Have pluck'd my nipple from his boneless gums
And dash'd the brains out had I so sworn as you
Have done to this.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Hino à Dinamarca

Pensei já ter postado isso em todos os lugares ao mesmo tempo. Fato é que é um dos meus favoritos. Brilhantes aulas de o que quer que seja.

- O silêncio é o meu socorro
deste berro derradeiro de fome
o berço de ouro cai no chão,
vítima do mármore
Não tem balançar sutil
que não atire pela janela
E com dor no peito,
filhote contra a vidraça
Leite que seca é tão
pior que decepção.

- O bico recusa a caçada
esperando presas de boa vontade
Leite que seca, quem roubou meu queijo
Esses buracos já estavam aqui ou fizeram
porque foi-se a sentinela ?
Medo me faz menos ou mais perdedor ?
A pergunta certamente traz respostas
O silêncio é meu pedido de consolo,
não tem argumento, eu não guardei,
eu não berraria em vão.
Eu tão pequeno, mais berro, menos berro.
Jamais tão crescente.
Venha,
que amanhã já nem sei.
Chega
de chega pra lá.
Que a vigília não pode ser maior que a vontade ?
Sim, aqui, agora, para sempre!
Que a vontade cresça, creia
e as mãos n'areia.

- Cem anos já é para sempre,
uma vez que o príncipe é outro,
mudam gestos, gelos, beijos, contos,
sapos.
Que mudem.
Os outros já eram
Melhor agora,
antes o silêncio.

- Quem é o rei se não ousa sentar no trono,
ou se este lhe é grande demais,
que é um cão,
quem sabe.

- Que será da pele
sem o toque ?
Fria, somente.
Vê, o toque irresistível,
vê.
Volúvel, borbulhos,
coitadinha, não quer molhar a pata.

- Que da vida não sobrou nada
Que eu te tenho como
pedido constante

- Que é a vida tão ausente
quem é tão falso
e sempre cercado
Pare com seus gritos,
como se não bastassem
os d'outro quarto.

- Que são atos senão pedidos ?
Raros!
Então cadê a pedra, e a quem cabe
quicá-la ? Armar-se dela ? Seja peixe ou lago,
a arma está ali.
Pois que não seja sobre armas,
então não seja. Porque os punhos
fizeram a pedra e a ocasião, o surto.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Jac, sua maconheira

Digamos que eu estou com a memória ruim. E quem me vê já sabe disso, porque me ouviu reclamar algumas muitas vezes. Pareceres diferentes, e só amanhã terei o de uma especialista, mas disseram stress, falta de um mineral X no corpo... O que for, tem me incomodado.
Não sou assim toda... ehm. Assim. Mais rápida, menos surda, consigo pegar as coisas no ar, juro que sim. E eu peguei um montão, tenho gente de prova.
Talvez seja excesso de laranja no corpo.
E talvez uma bússola confusa de um pirata que não se decide. Qual era o nome mesmo, dessas milhões de... de... essas coisinhas, que a gente imagina e supõe... que podem significar também...
Urgh, alguém sabe ? E já me achavam louca maconheira antes, porque eu levanto da cadeira e escrevo fé solúvel na lousa, porque desenho um sol e começo a me abanar pela sala de aula ainda que lá fora insista em cair neve, e depois escrevo metade, e depois ... Raramente inteiro, mas vou tentando. O que tem sido incisivo é entenderem ou não.

É lerem ou não. Por mais que você crie pela vontade, acaba sendo tão mais legal perceber que você não é só mais uma maconheira que cheira giz de lousa...! E sabe, quando você passa percebida. Não é bem aquela mania que as orientadoras educacionais e os professores de primário todos concordaram em adotar como verdade absoluta, que criança quer só chamar a atenção. [E já entrei em dúvida sobre isso, porque me decepcionava horrores quando esses professores de primário insuportavelmente viravam as costas e voltavam a escrever na lousa.] Quer dizer, é claro que você não pode se limitar àquela imagem toda turva na água, bla bla bla, mas essa garota que se uniu à minha causa de lousa não tem idéia do bem que isso me faz. É como colocar um tijolo e alguém começar a te ajudar a construir um muro, sabe ? Alguém que finalmente pertença ao seu espaço sideral.
Estamos construindo uma lousa.
Sabe, eu sempre quis construir textos que tivessem alguma coincidência, como aquele filme, CRAZY. Letras iniciais de cada frase, de cada parágrafo, e tentava ver se algum autor se dava ao trabalho. Seria tão mágico se acontecesse. Muito difícil acontecer simplesmente por coincidência, então, então me encarrego. E aqui morre o meu belo controle, juro, morre aqui e não segue controlando. Será que agora as coisas se invertem, e eu passo a ter mais consciência ? Se não faz sentido...
Bem, se não faz sentido leia de novo. Cansei desse apelido infeliz e mal-cheiroso. Cansei de carência silenciosa e de poucas indigestões. Estou me rebelando.