Modus Operandi - Quando tudo cai em silêncio e sensações

Destruição de toda a gente com a novela.
Meu minuto de silêncio, murmúrio e anestesia é distância, pedido de socorro dos mil golpes naturais aos quais a carne é herdeira. Da agressividade da rotina quando rói o emocional e praticamente força a insensibilidade. Não mais pedido de consolo, mas sempre muito cheio de possibilidades.
A visão periférica, cansada.
A compensação deste pêndulo monstruoso e imutável, que vem engolindo tudo, na tentativa de formar peso suficiente para alcançar um centro.
Tudo isso que pode ser ouvido se você simplesmente entrar em estática para compreender as forças que te movem.
E questioná-las.

.

.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Fantasie - Paixão por Meios

"Moço, você tem cheiro de remédio vencido."
Ele mal me olhou. Tinha um biquinho esquisito, como aquele outro de manhã que parecia que tinha feito cirurgia.
"Você tem cheiro de xarope. De planta esmagada. De mal estar."
Nem sei o que me diria se eu realmente botasse o que estava pensando para fora.
Talvez sejam todos tão omissos quanto eu. Ele por desistir de sair dali quando o grupo não lhe deu espaço ou licença.
Fiquei sentindo seu cheiro pelo resto do dia.


Você troca de estação como troca de mundo.


"Não tem regra sobre estalar com o chiclete, mas sabe o quê ? Também não tem regra sobre bater em quem estala com o chiclete, caminhão do ...!"
Nem queria tanto responder, a irritação é um acidente mal-intencionado. Me peguei perguntando se realmente me importava que fizessem aquilo. A resposta era boa. Também não saiu.

E não saem os sins, os nãos. Me fazem companhia enquanto esperam por oportunidade. Quando ela surge, mal converso com meu advogado, tão cega de paixão que estou. Talvez me arrependa depois - como um estrangeiro.

Tenho um bocado de perguntas que gostaria de usar como resposta.
Não é como se precisassem de um álibi, não elas, eu sim. Eu sim precisava me dar uma explicação.
Creio que me acostumei a tê-las como constantes. Há muitas coisas que se gravam por repetição, e outras por intensidade. Sendo a primeira tão estável - ou devo dizer concreta ? -, a segunda se mostrou de vez em quando. Fato é que a imagem de teu olhar está gravada em relevo no meu. Quando tiram, faz falta, mas de praxe em praxe, você se acostuma a perder.


Você se anestesia. E se você quiser me olhar, você crê se quiser;
que a verdade é insolúvel em água, mas dá pra tirar o excesso;
e que silêncio é a quebra de algo invisível aos olhos.
Minha sorte é de encaixar.


Já vi moço dizer que tinha ficado sentado o dia todo, recusando assento. Não há força por ironia do destino, flexibilidade eu sei que ele tem, sim senhor, acessório irrecusável se você quer sobreviver ao destino.


E tem aquela gente que entra no ônibus radiante. Não tenho nada contra a felicidade que surge sem motivo. Mas não é possível que haja uma áurea tão poderosa assim para todos os velhinhos entrarem com um sorriso de derrubar dentadura. Sorri mesmo sendo pras janelas, não há bom dia para sorrir de volta. E olha pra baixo como se de repente lembrasse de algo. Ainda sorrindo, sempre sorrindo. Também sorri quando vai descer.


Não vai, não.


Me confundo com gente que confunde impotência e improbabilidade. Ainda há um belo caminho a seguir. Me mete medo que as coisas se fundam.


Estou regredindo e andando de lado, repetitiva e mínima. Jamais tão crescente, pois isto é mal-passado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adoro os 'tipos' do ônibus!
Quanto aos velhinhos radiante, nunca vi. =p