Modus Operandi - Quando tudo cai em silêncio e sensações

Destruição de toda a gente com a novela.
Meu minuto de silêncio, murmúrio e anestesia é distância, pedido de socorro dos mil golpes naturais aos quais a carne é herdeira. Da agressividade da rotina quando rói o emocional e praticamente força a insensibilidade. Não mais pedido de consolo, mas sempre muito cheio de possibilidades.
A visão periférica, cansada.
A compensação deste pêndulo monstruoso e imutável, que vem engolindo tudo, na tentativa de formar peso suficiente para alcançar um centro.
Tudo isso que pode ser ouvido se você simplesmente entrar em estática para compreender as forças que te movem.
E questioná-las.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Hino à Dinamarca

Pensei já ter postado isso em todos os lugares ao mesmo tempo. Fato é que é um dos meus favoritos. Brilhantes aulas de o que quer que seja.

- O silêncio é o meu socorro
deste berro derradeiro de fome
o berço de ouro cai no chão,
vítima do mármore
Não tem balançar sutil
que não atire pela janela
E com dor no peito,
filhote contra a vidraça
Leite que seca é tão
pior que decepção.

- O bico recusa a caçada
esperando presas de boa vontade
Leite que seca, quem roubou meu queijo
Esses buracos já estavam aqui ou fizeram
porque foi-se a sentinela ?
Medo me faz menos ou mais perdedor ?
A pergunta certamente traz respostas
O silêncio é meu pedido de consolo,
não tem argumento, eu não guardei,
eu não berraria em vão.
Eu tão pequeno, mais berro, menos berro.
Jamais tão crescente.
Venha,
que amanhã já nem sei.
Chega
de chega pra lá.
Que a vigília não pode ser maior que a vontade ?
Sim, aqui, agora, para sempre!
Que a vontade cresça, creia
e as mãos n'areia.

- Cem anos já é para sempre,
uma vez que o príncipe é outro,
mudam gestos, gelos, beijos, contos,
sapos.
Que mudem.
Os outros já eram
Melhor agora,
antes o silêncio.

- Quem é o rei se não ousa sentar no trono,
ou se este lhe é grande demais,
que é um cão,
quem sabe.

- Que será da pele
sem o toque ?
Fria, somente.
Vê, o toque irresistível,
vê.
Volúvel, borbulhos,
coitadinha, não quer molhar a pata.

- Que da vida não sobrou nada
Que eu te tenho como
pedido constante

- Que é a vida tão ausente
quem é tão falso
e sempre cercado
Pare com seus gritos,
como se não bastassem
os d'outro quarto.

- Que são atos senão pedidos ?
Raros!
Então cadê a pedra, e a quem cabe
quicá-la ? Armar-se dela ? Seja peixe ou lago,
a arma está ali.
Pois que não seja sobre armas,
então não seja. Porque os punhos
fizeram a pedra e a ocasião, o surto.

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